terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Causo – A menina na sala de aula

Foto: lfg.com.br

-Ela era tão bonita...
-Era?
-Sim... Eis o acontecimento.

Estava sentada, na minha frente. Cabelos loiros, camisa verde, com um sorriso tímido saindo de tempos e tempos.
Tantas eram as pessoas naquele lugar, eu já nem ligava para as palavras pronunciadas pelo professor.
Meu olhar era fixo, reparava cada mão passada no cabelo, cada espirro contido, todo vaguear de pensamentos...

-Cara, ela É bonita.
-Relaxa...

Em determinado e único instante, todos entretidos com uma história, menos eu, menos ela.
Olhou ao redor, disfarçou... foi baixando a cabeça [pensei que fosse dormir na cadeira] e desviou! Foi em direção ao seu braço, subiu e fungou o suvaco como uma viciada em pó.

-Agora sim... Se não tivesse feito a careta, ela seria linda.


(Rodolfo Ricardo - Conto à Vida)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Conto – Clichê Sobre a Chuva


foto: slowdown.com.br 

Calmo...
Assim o dia começou.
Seria a chuva?
Sim, ela, que há meses não aparecia,
demonstrou-se apaziguadora.
Ora forte, ora fraca, acompanhada sempre do vento.
Um bucolismo enorme, ao fincar meus pés junto à janela,
olhar o céu e sentir a primeira gota em meu rosto.
pensamentos vem, logo depois
vão embora com o som, que é intenso.
O sol já pede passagem e seus raios
já refletem nas águas repousadas em cada folha de árvore.
Como se estivesse acordando,
me afasto da janela, enxugo meu rosto e
enfim, posso começar de novo minha rotina.

(Rodolfo Ricardo – Conto a Vida)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Criative – Escritos 01

Esse mundo.
Sem mais, sem menos. Só nós dois.
O que meus olhos vêem, minhas mãos sentem.
A minha mente não relembra passado, não projeta futuro...
Só fica ali, estática e vidrada naquelas sensações.

“O silêncio fala mais do que palavras...”

(Rodolfo Ricardo – Conto a Vida)

Criative – Escritos 02


Quando o silêncio é quebrado,
quando a primeira palavra é jogada ao ar,
o suspiro, o abrir dos olhos,
levantam as portas de um novo lugar naquele mundo.
As sensações agora são as mais inocentes.
Cada olhar bobo chama uma nova expressão,
cada expressão chama um sorriso e
todo sorriso termina ali,
no encontrar mais singelo dos lábios:
o beijo.

.
.
(o teu beijo)

(Rodolfo Ricardo – Conto a Vida)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Criative – A aula

 

Que situação
O relógio tem um minuto longo
Sem paciência, tenho vontade de dormir
A voz dela é trêmula e o sorriso despertante
Não consigo me concentrar
Nem a chuva caindo
do outro lado da janela, faz ser melhor
Cinco minutos ou seriam cinco dias?
Estou caindo, a voz ainda é despertante
Passaram-se quarenta e cinco minutos
interminantemente longos
E o grito,
antes ríspido em minha traquéia
flui com uma pressa para o exterior
E para quem pôde ouvir, saiu:
QUE AULA CHATA DO CAR*LHO!

(Rodolfo Ricardo – Conto a Vida)

sábado, 7 de novembro de 2009

Cordel – Filho bom, mãe ruim. Filho ruim, mãe pior ainda!

Minha mãe me disse
que eu não era pra nascer
fui um erro tão do grande
"mais maior" que um elefante
gordo, feio e do nariz grande
e que desse mundo não era pra ser

Mas eu nasci
fui crescendo sem ter medo
eu que era o pesadelo
daquela que veio a me parir

Uma certa vez
eu já tinha uns sete anos
subi em um pé de jambo
somente só pra traquinar
a véia viu
e nem ficou se lamentando
pegou logo seu tamanco
jogou bem no meu tutano
e riu ao me estabacar

saí correndo
chorando mais que cuíca
e ela já se mijava
de tanto que gargalhava
da minha dor tão doída

no outro dia
eu nem pestanejei
fervi uma chaleira d'água
mirei bem na desgraçada
e então nela eu joguei

A gritaria
foi tão grande que deu susto
a cara dela 'tava' no bucho
e derretia a pingar

A infeliz me acertou na correria
meti o quengo na pia
e como eu não sou gia
bati as botas naquele lugar

acordei, numa quentura da misera
olhei pro lado, só via vela
fogarel e nada de mar
uma gritaria me assobrava bem de perto
eu pensei "isso é o inferno"
e segui a caminhar

Lá tinha uma fila
o primeiro era Caim
e quando eu chego no fim
minha véia ‘tava’ lá!

(Rodolfo Ricardo – Conto a Vida)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Criative – O Abraço Dela


Era um ano pra lá dos dois mil e cinqüenta
E um senhor contava histórias para uma dupla de meninos
Eles riam, achando que o senhorzinho estava bêbado
Mas tornaram a prestar atenção quando ele disse:
”Ela dizia que fazia sua casa no meu cangote…”
-E pode? – indagou uma das crianças
-O que é cangote? –
a outra falou
O senhorzinho riu… divagando
lembrou de uns versos 
feitos em um dos encontros com a moça
mas que nem tinham sido escritos
estavam lá, no seu pensamento e dizia assim:

”O sorriso dela é bonito de se ver
gostoso de se ouvir
mas nada se compara ao seu olhar
ah, esse pequeno instante
que antecede aquele beijo
que só ela sabe me dar
no teu abraço me sinto seguro
…………………………………………….
…………………………………………….”

O velhinho acorda daqueles tempos
e nem deu tempo de todo o verso lembrar
ao som bonito de uma música
era um flautista solitário
que ao longe, num carvalho
uma bonita melodia estava a tocar
e recorda um outro verso
porém preferiu, agora pra ela falar.

(Rodolfo Ricardo – Conto a Vida)