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sábado, 7 de novembro de 2009

Cordel – Filho bom, mãe ruim. Filho ruim, mãe pior ainda!

Minha mãe me disse
que eu não era pra nascer
fui um erro tão do grande
"mais maior" que um elefante
gordo, feio e do nariz grande
e que desse mundo não era pra ser

Mas eu nasci
fui crescendo sem ter medo
eu que era o pesadelo
daquela que veio a me parir

Uma certa vez
eu já tinha uns sete anos
subi em um pé de jambo
somente só pra traquinar
a véia viu
e nem ficou se lamentando
pegou logo seu tamanco
jogou bem no meu tutano
e riu ao me estabacar

saí correndo
chorando mais que cuíca
e ela já se mijava
de tanto que gargalhava
da minha dor tão doída

no outro dia
eu nem pestanejei
fervi uma chaleira d'água
mirei bem na desgraçada
e então nela eu joguei

A gritaria
foi tão grande que deu susto
a cara dela 'tava' no bucho
e derretia a pingar

A infeliz me acertou na correria
meti o quengo na pia
e como eu não sou gia
bati as botas naquele lugar

acordei, numa quentura da misera
olhei pro lado, só via vela
fogarel e nada de mar
uma gritaria me assobrava bem de perto
eu pensei "isso é o inferno"
e segui a caminhar

Lá tinha uma fila
o primeiro era Caim
e quando eu chego no fim
minha véia ‘tava’ lá!

(Rodolfo Ricardo – Conto a Vida)

domingo, 1 de novembro de 2009

Criative – Ah, o Nordeste!


Falar-lhe-ei um conto
sem vírgula, sem ponto
das belezas e riquezas
do lugar de onde vim
Não é norte, não é sul
não é leste, nem oeste
Da Bahia ao Piauí
eu 'tô' falando é do Nordeste
sem querer me gabar
lugar melhor que esse
é difícil de achar
do forró ao baião de dois
da macaxeira ao acarajé
e aqui mesmo eu finco o pé
e te abraço, oh meu Nordeste.
tenho sotaque que me identifica
tenho bolo de milho, rapadura e canjica
trovadores, minha cultura veste
e rodando pelo mundo
no presente, no passado e no futuro
grito, vivo e me orgulho
Eu te amo, meu Nordeste!

(Rodolfo Ricardo – Conto a Vida)