terça-feira, 1 de junho de 2010

Criative - Prefácio (Mula Manca)

Não creio ser um homem que saiba.
Tenho sido sempre um homem que busca.
Mas, já agora, não busco mais
nas estrelas e nos livros.
Começo a ouvir os ensinamentos
que meu sangue murmura em mim.
Não é agradável a minha história
Não é suave e harmoniosa
como as histórias inventadas.
Saba a insensatez e a confusão,
a loucura e o sonho.
Como a vida de todos os homens
que já não querem mais mentir a si mesmos.

(Música "Prefácio" de Mula Manca & a Fabulosa Figura)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Criative – Um dia diferente


Hoje é diferente, algo forte, que inevitavelmente teve que ser escrito. A letra é trêmula com o chacoalhar do ônibus e o cenário até parece ser clichê…

“Manhã de Segunda chuvosa… Manhã de uma Segunda-Feira chuvosa”

Eu tão acostumado em ganhar sorrisos ao invés de palavras, hoje as recebi. Foram ríspidas, estão sendo ríspidas. Logo as lágrimas que não caem, transformam-se em textos normais.

”Sem redondilhas, sem rimas, sem som…”

(Rodolfo Ricardo – Conto a Vida)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Criative – Chuva, silêncio e abraço


Quando ele entrou no quarto, fechou a porta e os olhos procuravam por ela. O silêncio era quebrado pelo som da chuva, que caia com uma leveza única, e em pingos curtos entrava pela janela.
Ela estava lá, com as luzes da noturna cidade entregando sua silhueta. A distância entre os corpos foi transformando-se em proximidade. O abraço selou o contato. Os corpos quentes, desnudos, ignoravam o frio, a hora, o mundo. As palavras não eram necessárias, o silêncio concentrado tanto falava. Até que os olhares se encontraram, as mãos dele caminhando pelo rosto dela, as mãos dela percorriam as costas dele. Quase no mesmo instante, as palavras apareceram simultaneamente.


”O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.”

Carlos Drummond de Andrade

(Rodolfo Ricardo - Conto à Vida)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Criative – ‘Não Ode’ às Corridas



(Foto: vidasaudavel.kit.net)

Tento não perceber, mas não consigo.
O momento é único.
Pensamentos vem na mesma velocidade que vão.
Há também aquele instante,
no qual, não se pensa em nada.
Limites sendo alcançados, limites a alcançar.
A respiração já não é sincronizada.
As pessoas ao lado não significam nada.
Os sons de fora são inaudíveis.
Só você.
Solitário em mais um dia de corrida.
Ouvindo o seu coração pulsar tão forte
parecendo querer ditar o ritmo.
O cansaço chegando, mas não,
não é hora de parar.
Algo mais forte ainda,
uma briga, uma batalha contra você mesmo,
em um lugar onde tudo anda em câmera lenta.
Até que chega o momento de parar.
Aquele último suspiro antes da linha final,
compensa cada intraqüilidade vivída nos dias perto dali.

Assim é correr. Assim é viver.

(Rodolfo Ricardo – Conto à Vida)

Criative – O Medo

Todo tempo vivido,
todas as experiências
e conhecimentos obtidos.
Não valerão por hora.
Esquecidos em viagens ao futuro.
Estampados no rosto com um sorriso de medo.
Medo? Medo…
Existe. Existia. Existiu.
Destruído no instante em que percebe-se
que tudo que se gosta está ali,
presente e querendo mais.
É a hora em que a felicidade entra
pela mesma porta do desconhecido,
caminhando lado a lado em busca
de sonhos e novos objetivos.

(Rodolfo Ricardo – Conto à Vida)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Causo – A menina na sala de aula

Foto: lfg.com.br

-Ela era tão bonita...
-Era?
-Sim... Eis o acontecimento.

Estava sentada, na minha frente. Cabelos loiros, camisa verde, com um sorriso tímido saindo de tempos e tempos.
Tantas eram as pessoas naquele lugar, eu já nem ligava para as palavras pronunciadas pelo professor.
Meu olhar era fixo, reparava cada mão passada no cabelo, cada espirro contido, todo vaguear de pensamentos...

-Cara, ela É bonita.
-Relaxa...

Em determinado e único instante, todos entretidos com uma história, menos eu, menos ela.
Olhou ao redor, disfarçou... foi baixando a cabeça [pensei que fosse dormir na cadeira] e desviou! Foi em direção ao seu braço, subiu e fungou o suvaco como uma viciada em pó.

-Agora sim... Se não tivesse feito a careta, ela seria linda.


(Rodolfo Ricardo - Conto à Vida)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Conto – Clichê Sobre a Chuva


foto: slowdown.com.br 

Calmo...
Assim o dia começou.
Seria a chuva?
Sim, ela, que há meses não aparecia,
demonstrou-se apaziguadora.
Ora forte, ora fraca, acompanhada sempre do vento.
Um bucolismo enorme, ao fincar meus pés junto à janela,
olhar o céu e sentir a primeira gota em meu rosto.
pensamentos vem, logo depois
vão embora com o som, que é intenso.
O sol já pede passagem e seus raios
já refletem nas águas repousadas em cada folha de árvore.
Como se estivesse acordando,
me afasto da janela, enxugo meu rosto e
enfim, posso começar de novo minha rotina.

(Rodolfo Ricardo – Conto a Vida)